Estudantes do curso de Licenciatura em História da Universidade Estadual de Roraima (UERR) estão levando suas pesquisas a eventos científicos, com trabalhos sobre colonização, fronteiras, gênero, educação e história política. Entre as próximas apresentações estão as de três bolsistas no II Encontro de Iniciação Científica de Roraima (II EIC), que será realizado de 21 a 23 de outubro, no campus da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
O encontro reunirá instituições que desenvolvem pesquisa no estado. Pela UERR, participarão os bolsistas João Pedro Carvalho da Silva e Silva, Kallyne Fernandes de Sousa e Ybis Daniel Pereira Silva, com estudos sobre diferentes períodos e processos da história regional.
Orientado pelo professor André Augusto da Fonseca, João Pedro investiga as redes de relações na colonização do Rio Branco entre 1750 e 1800. A pesquisa analisa os vínculos entre militares, religiosos, intérpretes, lideranças indígenas e trabalhadores locais após o Tratado de Madri.
Com base em fontes coloniais e na historiografia da região, o estudante utiliza a Análise de Redes Sociais, com apoio do software Gephi. Os resultados apontam que a sustentação da fronteira colonial dependia de uma rede de colaboração, dependência e mediação cultural, na qual militares de baixa patente também desempenhavam papel significativo.
Kallyne, também orientada pelo professor André Augusto da Fonseca, apresentará seu trabalho no dia 22 de outubro. A bolsista pesquisa as estratégias de disciplina e controle das populações empregadas por Manoel da Gama Lobo D’Almada no Rio Negro e na bacia do Rio Branco, entre 1788 e 1799.
O estudo relaciona fortificações militares, trabalho compulsório e administração das populações indígenas. Para isso, foram transcritas correspondências do Códice 287 do Arquivo Público do Estado do Pará, com auxílio da plataforma Transkribus. A investigação identificou práticas de punição em obras públicas, controle por meio da produção de alimentos e flexibilização de penas por deserção. O trabalho também resultou na elaboração de um artigo científico, na participação em colóquios e na integração acadêmica com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
Já Ybis Daniel, oriundo de Rorainópolis e orientado pela professora Maria José dos Santos, apresentará a pesquisa “O Conflito do Pirara e as disputas entre a elite oitocentista na fronteira do rio Branco no período de consolidação imperial”.
Gênero, educação e história política
A participação em eventos também marca a trajetória da estudante Fernanda de Sousa Nascimento. Ao longo do ano, ela apresentou trabalhos que articulam experiências de formação, relações de gênero, práticas educativas e história política.
Em maio, participou do II Seminário dos Discentes do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRR, com o trabalho “Experiência formativa com homens no campo”. A temática também foi abordada no I Colóquio de História e Fronteira do Rio Branco, com a apresentação “Experiência formativa de gênero com homens no campo”.
Em setembro, Fernanda apresentou uma pesquisa sobre o jornal Voz Operária e a Guerra Fria no Brasil, entre 1949 e 1950, no VII Seminário Visões do Mundo Contemporâneo. No mesmo mês, levou à V Jornada Anual do PPGSBio um relato sobre uma oficina de bioinsumos em assentamento da reforma agrária no extremo norte brasileiro.
Em outubro, a estudante apresentou, no II Encontro de Estudos em História Política, um trabalho sobre as repercussões da Revolução Chinesa no Brasil e suas interpretações no Partido Comunista Brasileiro, a partir do jornal Voz Operária. Sua agenda inclui ainda apresentações nas I Jornadas do Nerg, sobre a Revolução Chinesa como inspiração para a luta feminina no Brasil, e no I Congresso de Educação e Fronteiras da Amazônia (CONEFAM), com um relato sobre o minicurso de letramento racial na UERR.
As trajetórias dos quatro estudantes evidenciam a articulação entre pesquisa e formação docente no curso de História. Além da produção acadêmica, esse percurso inclui experiências em programas como o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvido em escolas estaduais da capital.







